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domingo, 14 de junho de 2009

Vivendo num mundo-brana

Podemos estar certos de que em poucas épocas, senão muito distantes, os seres humanos nunca tiveram tanta liberdade comportamental quanto hoje. Não obstante, se por um lado, não importe qual caminho o indivíduo escolha, terá apoio de um segmento da sociedade, podendo ser aceito e viver razoavelmente bem, o que se vê hoje é o vazio tomando espaço dessa liberdade de individualismo, principalmente entre os jovens. A supervalorização do material, do “tudo pronto”, do “ficar” só por “ficar” (não há dedicação a priori, pouco provável haverá amadurecer) e da incerteza do amanhã - considerando também a insegurança de dedicar-se à profissão preterida, tendo de lidar com o mercado de trabalho saturado ou desvalorizado, - tem contribuído para a instalação do niilismo no inconsciente dos indivíduos, a resignação e o deixar-se levar empiricamente, o amadurecimento tardio, que com sorte acontece.

Pais e filhos (e família) ficam distantes por não falarem a mesma língua, uma língua que, na verdade, ninguém sabe falar. De tanta informação, de tantos meios de se estar fazendo a coisa certa, que os modelos confiáveis de se nortear uma pessoa, uma sociedade, podem não ser suficientes, ou facilmente questionáveis. Todos têm o direito de investir no erro, afinal de contas, ninguém pode dizer o que é melhor para outra pessoa, não é?

Ninguém pode...

Juan