Ela mantinha seus breves momentos, em que, contida, rastejava o olhar pelo canto dos olhos, os quais eram azulados e magníficos, que logo caíam sobre a mesa. Bebia um pouco do chá, enquadrando numa doce moldura o silêncio inoportuno. Por um ínterim, pensei: a lembrança é a ideia que temos de um passado. Já o agora não constitui ideia alguma: aquilo não constituía ideia alguma, não naquele momento. As coisas só ganham sentido moral quando paramos para pensar sobre elas. Não era o caso: aqueles minutos não marcavam o tempo: me atingiam como um sentimento cristalino, sabendo que, sem adentrar em bifurcações perigosas de sua moral insegura, ela sentiria o que eu queria que sentisse.
Arthur Wilkens
http://portapoesia.blogspot.com/2010/10/retrato.html
obs: mudei o layout, espero que também tenham gostado.