Vniversale descrittione di tvtta la terra conoscivta fin qvi
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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Estátuas

Com o passar do tempo,
certas pessoas viram estátuas,
e é preferível perfurá-las (as estátuas),
e sentir tocar na alma suas fagulhas de pedra
do que largá-las à corrosão das chuvas.

(Arthur)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Galilei

Nato al lume guizzante della candela
Scritto in tempi oscuri
Sulla vecchia pergamena
Scorre la penna
E dal suo braccio nasce
Il disegno delle volte celesti
È l'inizio dei tempi
E cambierà il mondo

domingo, 13 de novembro de 2011

Utopia

Não há tempo para a poesia;
nem nunca houve; não há humor;
não há lirismo no cerne da carne;

e haverá?

que colhe a mão o alimento,
a madeira, o trigo; bate a mão
o cimento e a farinha do pão;
pai e mãe querem o sustento,
e os pequenos choram à mesa
estonteados; e não há beleza;

o choro à mesa tritura um coração;

e vêm os tempos de sol,
e lavra a mão a terra dura,
põe na pata a ferradura;
o peito humano é armadura,
a mão humana é arma dura,
o coração é alma dura;

e a poesia não vive;

onde vive a poesia no corpo faminto?

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Soneto do Homem Fêmea

Era um homem que gostava de rosas
vermelhas, rosas em lépidas formas
em buquê, rosas em laço de entranhas
em nó, rosas de amores, de roseiras.

Era um homem que escrevia sonetos
à amada, cantarolava os librettos
barrocos de operetas, e em rubatos
de lira, jogava aos prantos o peito.

Era um homem fiel, e que não fosse,
era homem amado, homem amante
da vida, das cores, de um jeito doce.

Era um homem fêmea; morreu em frente
ao próprio amor, de paixão decadente;
em sangue, num golpe, adeus de repente.

sábado, 29 de outubro de 2011

O Boi

este é um dos meus poemas preferidos de Drummond; espero que apreciem.

Ó solidão do boi no campo,
ó solidão do homen na rua!
Entre carros, trens, telefones,
Entre gritos, o ermo profundo.

Ó solidão do boi no campo,
Ó milhões sofrendo sem praga!
Se há noite ou sol, é indiferente,
A escuridão rompe com o dia.

Ó solidão do boi no campo,
Homens torcendo-se calados!
A cidade é inexplicável
E as casas não têm sentido algum.

Ó solidão do boi no campo!
O navio-fantasma passa
Em silêncio na rua cheia.
Se uma tempestade de amor caísse!
As mãos unidas, a vida salva...
Mas o tempo é firme. O boi é só.
No campo imenso a torre de petróleo.


abrs.
Arthur

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Estátua

Dorme, sobre um véu,
tua estranha poesia;
é duma tara dourada
cheia de flores;
pele de verniz,
é um corpo
e um rosto;
uma alma;
é uma estátua;
és estátua;
é uma pena.


Arthur

segunda-feira, 16 de maio de 2011

(des)futuro

não sei quem és,
mas tenho um vício:

adoro a minha torpe paixão, secreta.
e em verdade às vezes me castigo.
não sei porque tu me desviou.

perco meu tempo, não precisa admitir.
desconfio da calmaria, ela me é estranha.
suspeito qualquer desistência.

tu me confortas.
quando eu vejo a tua beleza
me vem em mente todos os clichês sentimentais de um ser humano.

(e não sei o que escrevo,
e rio desse monólogo torto, de verso esquisito)

tu és a minha dádiva.
tu és infinita.
e nunca vai deixar de ser.
tu és inatingível porque não te quero!

(engole este poema, porque ele é teu)

terça-feira, 3 de maio de 2011

Outono Da Alma

As dores cessam,
Esvaem-se dos amores.
Os versos perdem a cor,
A poesia é agrura.

Mas tudo se eleva.
Leva um tempo,
Mas o tempo, tudo leva,
Ainda que leve tempo.

O que se foi, é agora memória.
E tudo o que resta
É a beleza.

Porque só o que resta dessa vida
É beleza.


Arthur Wilkens

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Exegese do poema mioleba

O poema
gororoba
rebimboca
guariroba
voçoroca
mioleba

A exegese

Primeira parte: reconhecimento de mioleba como a melhor palavra já inventada pela civilização ocidental

O poema apresenta um esquema de rimas em alternância, com cada verso contendo uma polissilaba até o surgimento do elemento surpresa mioleba. Ele surpreende por sua métrica, em três sílabas, e por não constar em nenhum dicionário. A interpretação mais aparente consiste em considerá-lo como forma variante de "me leva", com o "mio" indicando a provenância itálica de seu interlocutor enquanto "leba" demonstra uma variante de "leva" encontrada ao norte de Portugal. Ora, nesse caso, "me leva" gesticula os movimentos migratórios do homem clássico de Roma à Penísula Ibérica, e do homem do Norte a expulsar os mouros ao Sul, e dali para o Novo Mundo, onde hoje, como sempre, procura atingir uma transcendência espiritual, ser levado pela essência divina a um novo plano de existência em 2012. Reconhecemos mioleba, como palavra, como um ato de compressão de toda a história da humanidade em um só ponto: o ímpeto de transcendência e de união física e imaterial entre a essência dos amantes em uma só uterância mágica, mioleba, que possui o poder de iconizar todos os mitos em todas as eras: pois Ulisses, vendo-se perdido no mar, proferiu à deusa: mioleba para perto de minha amada Penélope, que me aguarda; pois Gilgamesh, segurando Enkidu morto em seus braços, não diz mioleba no lugar dele, mas sim mioleba para onde não se pode miolebar; miolebar, um verbo intransitivo, o ato que todos nós fazemos inescapavelmente ao fim de nossas curtas existências. Há nessa palavra algo de belo, pois o seu som nos agrada; nos lembra uma sopa de miolos, a tempestade de informações e os nossos interiores governados por emoções conflitantes e sentimentos que nem sempre podemos controlar; há nessa palavra algo de sublime, pois todos a admiram como algo sobrenatural, uma sentença de encanto e miríade cornucópia de sabedoria, o desejo do homem em tornar-se überhomem, como implora em um ímpeto nietzschiano o garoto almoso que pede "Super Man Dat Hoe", transforme em dama venerada toda prostituta, transforme em adulto vigoroso a criança ainda em formação, deixe no plano da matéria aquelas coisas escritas geneticamente no espectro de intenções mágicas da dupla serpente que forma a internalidade multiplexa ainda não manifesta de nossos seres; e há por fim nessa palavra algo de pitoresco, pois ela desperta uma risada divina, a hilaritas que está no rosto das divindades tântricas e do sábio taoísta que observa as vaidades dos homens. Portanto, reconhecidos os elementos belos, sublimes e pitorescos da palavra mioleba, podemos passar a análise de como ela se integra aos demais elementos do poema.

Segunda parte: reconhecimento do poema de mioleba como a maior obra já escrita pela civilização ocidental

Se mioleba é a palavra mais divina já concebida pelo homem, podemos encarar as demais palavras do poema ao menos como congêneres, convidadas a mesma morada nos céus. Rebimboca se refere àquilo que re-bimboca, que reemboca com uma nuance sensual e feminina inerente a sua constituição; rebimboca é o riverrun em Joyce, é o wu wei em Laozi, é a passagem dos ciclos lunares, é o renovar dos ventres todos meses, é a ida das águas da nascente a cachoeira e de volta aos céus para cair em movimentos sutis e delicados que constituem o seu aspecto pleno de mulher. A ela se associa outra palavra igualmente erótica e feminina, voçoroca, o ventre infinito, que tudo recebe e tudo contém, que carregou e nutriu a todos nós, que deu prazer a outros tantos, que dá prazer a todos nós pelo simples ato de existir, que nos inspira, o lugar de onde viemos e repousamos e refluimos por novas formas. A esse elemento feminino, o poema adiciona outras duas palavras para englobar toda humanidade em toda em plenitude, agora mostrando seus aspectos masculinos. Gororoba iconiza perpétua a condição cômica do homem que, desesperado e sem suporte, nunca come aquilo que deseja no momento de sua volúpia, tendo que se contentar na maioria das vezes com fetiches, fantasias e substituições insuficientes. Ela se compõe de goró e o verbo roubar, o goró que rouba o homem e lhe entrega ao estado de embriaguez, condensando em uma só palavra tanto a ofensa substantiva quanto a alternativa verbal menin, a ira incontida de novos Aquiles que se entregam à barbárie na ausência da figura feminina nem sempre presente. A palavra guariroba, por outro lado, evoca os aspectos positivos da natureza masculina, a palmeira vigorosa carregada por todos os homens, o ímpeto fálico de execução ou como se diz em terras orkúticas, a pegada: guariroba é Priapus em árvore, a palmeira que monumentalmente representa tanto em seu tronco quanto em seus cocos o melhor dos homens; é a bravura e esperteza dos heróis, a capacidade masculina de vencer mares e terras infindáveis para conquistar aquilo de que necessita. Assim, se gororoba e guariroba são fogo e terra, e rebimboca e voçoroca água e ar, mioleba é o éter eterno que tudo isso constitui e tudo abarca, o Tao que paradoxalmente reune os significados complexos tanto do homem quanto da mulher em um só ser que existe no momento do amor incompreensível e informulável. A palavra mioleba contém todo o poema, e contém a si mesma, resultando em um padrão fractal que reproduz eternalmente a glória de ser humano: e por isso, por ser infinita e cheia de mistério, contém todo o universo.

Terceira parte: reconhecimento de mioleba como a única obra que vale a pena ser lida

Para aquilo que concerne as necessidades do espírito humano, o poema mioleba basta como obra-prima suprema ao passo que contém em si toda a arte já criada. Ela deve ser o único conteúdo de tatuagens, a única letra de músicas, ensinada nas escolas por toda a vida e cobrada nos exames vestibulares: ela deve ser o instrumento básico de comunicação, uma linguagem que por si só basta e substitui aquela que lhe deu origem. Deve ser gravada em pedra, desenhada nos céus por aviões do exército incessantemente, escutada em murmúrios, gemidos, gritos, conversas, discursos, declarações de amor, teatros e igrejas. Pois por muito tempo vivemos desolados e em perdição, mas agora Abel e Elohim se espelham na terra em uma só forma: mioleba.


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Impressionismo

Na minha janela tem um quadro sem nome,
Pintado de chão e de céu, de árvore e rua.
E uma moça que nele passa,
Por ventura, me dói.
Ela é sem nome, sem graça,
E por alguma, eu amo.

Arthur Wilkens

terça-feira, 5 de abril de 2011

À ti, a verdade

Começo refletindo sobre o tempo
Pergunto-te: O que tu fostes ontem?
Não eras uma criança? Uma jovem esbelta?
E hoje, quando a decrepitude rói tuas entranhas,
Sonhas com o passado sem ganas do agora...

Somos míseros nada. Sim, não somos!
Pense na idade das estrelas, das galáxias
Das constelações e do Universo!
Quiçá dos outros universos que existem
E tu ainda anseias o próximo capítulo da novela?

Não vês que vive um sonho dentro d'outro?
As distrações circundantes e tua própria vida
Te engolfam num sono profundo e amargo
Pois algo sempre menciona a possível verdade
E disso, menina, ninguém gosta...

Tudo é tão perene e efêmero: as idéias, os amores
As recordações, a juventude; E disso tudo, pergunto:
O que fica? Por acaso levaste algum ideal para a cova?
Por acaso estás enfeitada com tua preciosa toga
Agora que os vermes te limpam e deixam só os ossos?

Mas não tema, minha doce querida
Além da vida há mistérios invisíveis aos profanos
O não-ser é a próxima etapa de uma não-vida
Portanto, prepare-se, humanas cinzas,
Para dissolver-te na mais radiante estrela
E viver a assombrosa realidade.

Gabriel

sexta-feira, 11 de março de 2011

Vida no Cárcere

Vivo em uma prisão
Minha casa me limita,
Meu bairro me condena,
E para melhor estar
Minha mente me enlouquece.

Difícil fantasiar a vida alheia
Pela viseira que consome
Junto a minha visão míope
Qualquer divagação
Que minha imaginação poderia me provocar

O que minha mente se incumbe
É de ser contra meus impulsos primários
E a retórica que ela aplica
É sobre si mesma.

Nenhum cárcere deseja
Que seu prisioneiro se sinta livre
Ele quer passarinhos enjaulados
Por uma prisão feita de cultura e ossos

Mas em mim, percebam
Tento escapar em seus subterfúgios
Nos mínimos e possíveis pormenores
Lingüísticos que seja, mas possíveis

Luto como um gênio preso
Com garra e contra garra
Dessa tirana prisão
Em minha própria essência enfrascada.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Capriccio, em teu nome.

Acaso tu estejas mesmo por aí, sei que me lês
E assim, sei que me vês e sei que me entendes.

Perante à madrugada, me contenho
E a ti, transcrevo estes versos de minha sóbria moral
Peregrinando por poucas memórias e vagos desejos
Me ilumino, e capricho, em teu nome.

Se te julgas por pisar sobre falsa realidade,
pergunta por onde andas a ti mesmo
Pois a calma vem a hora errada, tão zonza,
e quando cai te desarma feito praga!

Vivente, não te enganes, pois sei donde vens!
Volta ao elo das almas corajosas e de boa vontade.
Deita sobre o berço do teu anjo-amigo,
para que este o tenha em seu relicário sagrado.

E por fim, presta atenção nestas palavras, porque nelas te entrego um aviso:
Rejubila!
Sei que em braços fraternos, encontrarás juízo.


Arthur Wilkens

postagem original: http://portapoesia.blogspot.com/2010/11/capriccio-em-teu-nome.html

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Copa do Mundo

Gol!
Que acendam centelhas divinas
Ímpares, perpetuando floreios aos olhos de quem vê
Exalando perfumes tão tenros
Em atmosfera de óde à pátria amada!

Contemplem a união fraterna das nações
Em nome de buscas heroicas impossíveis
Enquanto cada povo proclama em alto tom:
''Eis nossos laços de virtude!
Apresentamos ao universo nossos guerreiros de ferro
Em seus postos pela gigante batalha da paz.''

Falta!
Soam as infernais cornetas desamparadas
Do sopro enganado de cidadãos traídos!
Por onde se esconde o juíz nacional?
Cobrindo a miséria dos outros
Criando visões superficiais da própria imagem

Lá se vai nosso pão e vinho tinto!
Lá se vai...
A esperança de quem veste amarelo
Às custas da vitória do próprio país.



Arthur Wilkens

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Alguma coisa

Meu poema não tem cor
Meu poema não tem cheiro
Meu poema diz que rima

Mas ele é um mentiroso!



Arthur

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

I want to dive slowly deep into a dream
and travel by the sky
some birds for conversation
deep blue sky

sky upon sky
there's no boundary
share with me onde lifetime
share with me this dream

Sail by the stars
again another sky
I see angels among me, this is my poetry.

You will call it crazy
I will call it love

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sexta 13

Já se foram mais de treze horas acordado e a energia da chuva não me deixa em paz. Cada goteira mental em seu determinado pulso, algumas estão quase parando... Não adianta revirar a cabeça. Sinto como nunca a força da natureza ao meu redor, o expressivo som da água sobre as folhagens, a brisa gelada que vem de vez em quando, no meio de tanto calor. Sinto tanto que dou-me conta de que já se foram mais de treze horas acordado e a energia da chuva não me deixa em paz. Cada goteira mental em seu determinado pulso, algumas estão quase parando...

Gabriel Engelman (Arthur Wilkens)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Escrevo

Escrevo agora a pedido da alma
Em contemplação ao caminho que me levou até ela
Escrevo estas palavras tão incertas e infinitas
Escrevo coisas que morreriam em mim
Se aqui não fossem escritas

Arthur Wilkens