
É evidente que nem todos crêem no jogo de baralho, muitas vezes pela imagem que certos charlatões passaram ao longo da história ou pela forma como a mídia desdenhou e criou paradigmas sobre o comportamento *geralmente excêntrico* daqueles que consultam. Há também aqueles que simplesmente temem o Tarô, pois imaginam ser uma coisa diabólica e que tem a ver mais com o candomblé e estas outras seitas.

O certo é que ele tem estado presente na maioria das escolas esotéricas (for instance: Maçonaria, Rosa-Cruz, Golden Dawn, Gnosis, etc.) e sempre foi visto como um instrumento pelo qual nos conectamos com nossa parte divina, e portanto, em sua maioria, inconsciente.
A simbologia de quase todos 22 arcanos maiores é completamente inciática, e também hermética aos olhos profanos. Nestas ordens geralmente estuda-se a fundo o jogo com o que dizem ser seu real propósito: O auto-conhecimento.
Outro personagem célebre que já havia tentado explicar o fen
ômeno da cartomancia foi Carl Gustav Jung, psicólogo e discípulo do grande Freud. Jung tentava estabelecer uma relação entre os arquétipos (isto é, imagens psíquicas do inconsciente coletivo) e os desenhos e símbolos que cada arcano possuía, sugestionando que a prática divinatória seria um encontro entre nosso Id e Ego.

Existe um certo padrão em pensar que só pode jogar Tarô aqueles que possuem uma intuição mais desenvolvida. Isto, na realidade, não é certo, pois qualquer um pode desenvolver a capacidade de ligar os símbolos e seus possíveis significados, ao passo que isto poderia ser também visto como o ato de estimular nosso contato com o divino. Claro que existem pessoas que mesmo nunca tendo mexido em um baralho conseguem intuir com profunda exatidão os significados de cada carta, mas isto são exceções e nada mais.
A divisão do baralho pode ser confusa no início, mas é bem simples: os 22 primeiros arcanos (ou trunfos) maiores lidam com questões mais universais e transcendentais, tendo uma importância simbólica que pode ser estudada e meditada. Os outros 56 trunfos estão relacionados com a visão adivinhatória e portanto "mundana" do Tarot. Cada um dos quatro naipes (paus, espadas, copas, pentáculos ou ouros) lidam com uma gama de sentimentos e ocorrências de sua estirpe; Ex.: ouros se relaciona ao elemento terra, portanto às conquistas e dilemas materiais, financeiros e tudo mais relacionado a isso.
Baralhos e tipos
Para começar a jogar, é necessário uma pesquisa nos baralhos e naqueles com os quais mais nos identificamos, mas aqui vou deixar uma prévia de alguns:
Rider Waite

Arthur Edward Waite, interessado por assuntos esotéricos, foi o primeiro a lançar um baralho no qual os 78 arcanos fossem ilustrados, não tão somente os primeiros 22. Há diversas referências a este baralho, e em especial na mídia, a série "Carnivale", que uma vidente o usa constantemente, causando na época um abrupto interesse pelo jogo.
Thoth

É um baralho bem conhecido por seu visual arrojado, foi feito pelo místico Aleister Crowley, muitos simpatizam mais com este do que com o Rider Waite, que digamos ser o mais tradicional e portanto o mais utilizado.
Marselha

Um dos mais antigos a serem utilizados, veio da frança, da cidade de mesmo nome. Até hoje não se tem certeza se o jogo divinatório deste baralho surgiu de um jogo comum de cartas (de mesmo nome, tarot, tarocchi, tarock) ou se foi o contrário. Em realidade o tarô de marselha consagrou a prática na Europa, coexistindo as duas formas de jogo no mesmo baralho por um tempo mas depois foram sofrendo modificações até serem distintos.
Egípcios Kier

É um baralho diferente, os arcanos tem outro tipo de estrutura, onde há três planos (imitando a perspectiva nos desenhos egípcios) o mental, o espiritual e o mundano. Ainda que seja um belo maço (e pode se mostrar um tanto confuso na prática) ele tem sua base sob uma das mais contestadas e duvidosas origens do tarô, gerando certa desconfiança que pode até deixar o consultante confuso no jogo.
Para que se possa manejar o tarot com maestria, é necessário muita prática (obs: o certo é não cobrar por isso!) e paciência, pois aos poucos nossa intuição vai influindo na leitura e possivelmente vai ser dispensado o uso do manual que explica o significado de cada trunfo. Boa sorte e bom jogo!
Gabriel